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A DIETA MEDITERRÂNICA Um exemplo de uma alimentação saudável Define-se a dieta mediterrânica como a alimentação que se fazia nos países do Sul da Europa (Grécia, Itália, Espanha e Portugal), no início da década de 60, considerando-se a dieta de todos estes países variantes de um modelo teórico comum (Cruz, 1997). Nas últimas décadas, tem-se despertado para um grande interesse pela alimentação, devido à relação entre dieta e saúde. Neste contexto, adquiriu uma grande relevância o conceito de “dieta mediterrânica” como modelo de dieta equilibrada e saudável. A razão deste interesse foi a observação de que os adultos de certas regiões que circundam o mar mediterrâneo (note-se que Portugal não sendo banhado por esse mar tinha uma alimentação mediterrânica) apresentavam taxas baixas de doenças cardiovasculares e certos tipos de tumores (Bruzos e Boticário, 1997), quando comparadas com os países do Norte da Europa e dos Estados Unidos da América. Eliminando outros factores, os investigadores centraram a atenção na dieta como ponto-chave para explicar esta situação, sendo actualmente objecto de extensa investigação de forma a confirmar o real impacto na redução da incidência dessas doenças. Na análise dos hábitos alimentares dessas regiões da bacia mediterrânica, chegaram à conclusão que essa dieta se baseava sobretudo em alimentos de origem não animal, e que apresentava as seguintes características: - Elevado consumo de frutas e verduras, ricos em fibras (pectinas), compostos antioxidantes, vitamina C e beta-carotenos. - Consumo de azeite, que aumenta os ácidos gordos poli e monoinsaturados. - Elevado consumo de peixe (especialmente gordo), que aumenta os ácidos gordos polinsaturados (ómega 3) e a vitamina F, e pouca carne. - Grande consumo de leguminosas, que fornecem minerais (Mg, Ca) e fibra. - Consumo equilibrado de produtos lácteos, fonte importante de cálcio. - Baixo consumo de açúcar, manteigas e margarinas. Todas estas características, relacionadas com os recursos que estes povos possuíam, traduzem-se numa dieta pobre em ácidos gordos saturados e colesterol, pobre em proteínas de origem animal e elevada em hidratos de carbono complexos e fibra. Apesar das incontestáveis vantagens da dieta mediterrânica, não é a “dieta milagrosa”, nem o único factor responsável pela prevenção das doenças cardiovasculares e outras patologias. Há outros factores ligados à cultura mediterrânica, como sejam uma vida mais tranquila, menor stress, sesta, etc. (Bruzos e Boticário, 1997). Nos países mediterrânicos, no início e meados do século XX, as refeições eram consumidas num ambiente descontraído e calmo, no seio da família, afastando, assim, qualquer clima de “stress”. Infelizmente, é sabido que a população portuguesa, mais que a italiana, grega e turca, começa a adquirir padrões alimentares cada vez mais afastados de uma dieta mediterrânica (Nunes e Breda, 2001), onde o tradicional cenário social e culinário começa a desaparecer. Assim, assiste-se a uma grande redução no consumo de fruta fresca e de legumes e a um aumento no consumo de carne, de gorduras saturadas e de açúcar, como revelaram recentes investigações desenvolvidas em adolescentes (Matos et al., 2003). Segundo Cruz (1997), o conceito de “dieta mediterrânica” (modelo teórico) continua a ser importante porque nos conduz a algumas das características mais importantes de um padrão alimentar saudável em termos contemporâneos, nomeadamente: - Ingestão adequada de pão e outros cereais, leguminosas secas, produtos hortícolas e frutos, importantes pela sua riqueza em antioxidantes e em fibras solúveis e insolúveis; - Consumo preferencial de lacticínios e de carnes com teor de gordura reduzido, maior ingestão de peixe à custa das carnes e menor consumo de alimentos processados ricos em gordura, em açúcar e em aditivos. Repositório da Universidade do Minho. Educação alimentar na escola: avaliação de uma intervenção pedagógica dirigida a alunos do 8º ano de escolaridade. [Consult. 2 Jun. 2010]. Disponível em WWW: URL: http://hdl.handle.net/1822/2634 (adaptado)
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